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Baloon Sinuplasty

Uma maneira menos invasiva para o tratamento dos quadros sinusais

 

 

Sinuplastia com balão:

Médicos do Centro de Otorrinolaringologia de São Paulo realizam pela primeira vez técnica inovadora de cirurgia do nariz e seios paranasais. Confira algumas informações e dúvidas sobre esta nova técnica.

 

Onde surgiu este procedimento e quando chegou ao Brasil?

A sinuplastia é uma técnica recente em nossa especialidade e que foi desenvolvida nos Estados Unidos a partir de 2004. Em 2006, após aprovação do equipamento pelo FDA (Food and Drug Administration), estes instrumentos foram utilizados inicialmente em cadáveres e depois em seres humanos, sem maiores complicações. 

 

Como funciona essa nova técnica?

A partir dos avanços da cirurgia endoscópica do nariz e seios paranasais, outros procedimentos minimamente invasivos foram propostos. Apesar de ser uma técnica extremamente útil, popular e com excelentes resultados, a cirurgia endoscópica nasal tradicional pode apresentar algumas complicações como dimunição temporária dos movimentos muco-ciliares do nariz e seios paranasais, fístulas liquóricas, hematomas orbitários, fibrose cicatricial, epistaxes, dentre outras. A cirurgia tradicional também promove alterações na produção e interação de gases importantes na mucosa do nariz o que pode vir a causar alguns problemas em certos pacientes.

 A partir destas observações, novas técnicas minimamente invasivas foram desenvolvidas, tais como a "MIST" (Minimal Invasive Sinus Treatment), e outras. Neste ínterim, surgiu a sinuplastia, técnica derivada de instrumentos utilizados em outras especialidades médicas como cardiologia, cirurgia vascular, urologia e que prevê a dilatação, por meio de balões que suportam altas pressões, dos óstios, ou seja, dos caminhos, naturais de drenagem dos seios paranasais, principalmente os seios frontal, maxilar e esfenoidal.

 Esta dilatação com altas pressões por poucos segundos provoca, teoricamente, microfraturas nas regiões ósseas adjacentes aos óstios dos seios paranasais, promovendo remodelação desta área, possibilitando aspiração, drenagem e ventilação destes seios. Vale ressaltar que a sinuplastia não vem substituir ou se contrapor à cirurgia tradicional. Ela surge como uma alternativa destinada à alguns pacientes e que pode ser mais benéfica que a cirurgia endoscópica tradicional nestes casos selecionados. A sinuplastia também pode ser utilizada em conjunto com a cirurgia tradicional, em procedimentos ditos “híbridos” em que os balões são utilizados em alguns seios paranasais enquanto a cirurgia tradicional é realizada em outros.

 

Quais são os riscos desta cirurgia?

Os trabalhos publicados até o momento na literatura mundial trazem resultados muito satisfatórios e com riscos menores quando comparados com a cirurgia endoscópica tradicional. Entretanto algumas complicações relatadas são fenômeno de recirculação, principalmente nos procedimentos do seio maxilar, o que pode gerar intenso desconforto aos pacientes com secreções nasais constantes, casos de fístula liquórica, estouro do balão e, quando utilizada com radiação (fluoroscopia), exposição dos pacientes à radiação ionizante. 

 

Quais são as diferenças desta operação e da operação convencional?

Na cirurgia endoscópica tradicional, há a remoção de tecido, como mucosa e materiais ósseos para que haja a ventilação, drenagem das secreções e acesso das medicacões nos seios paranasais. Os dois procedimentos são realizados com assistência de endoscópios, porém a sinuplastia requer a utilização de radiação (fluoroscopia) para o posicionamento e localização dos balões ou de métodos de transiluminação, também destinados à localização do seio paranasal.

Mas a diferença fundamental entre os procedimentos é que na sinuplastia, há somente um remodelamento dos canais de drenagem dos seios paranasais, os óstios. Este remodelamento pode ajudar na ventilação, drenagem e acesso das medicações nos seios paranasais.

 

Quais são as vantagens desta cirurgia? E desvantagens?

As vantagens são, quando bem indicadas, ser um procedimento menos invasivo que a cirurgia endoscópica tradicional, com tempo cirúrgico mais rápido, diminuição da chance de sangramentos nasais pós-operatórios, além de praticamente ausência de chance de fibrose cicatricial, principalmente na região do seio frontal. Os pacientes também podem ter alta hospitalar no mesmo dia e raramente utilizam tamponamento nasal.

As desvantagens são mais relacionadas atualmente em nosso país ao custo do procedimento que, no presente momento, é bem mais elevado que a cirurgia endoscópica tradicional. 

 

A cirurgia é indicada a que casos de sinusites?

Há algumas indicações presentes na literatura tais como sinusites crônicas refratárias ao tratamento clínico (com medicações) máximo, ou seja, sinusites crônicas que não melhoram mesmo após uso extensivo de medicações; barotraumas, ou seja traumas relacionados à variações de pressões, pacientes com síndrome do seio silencioso; pacientes pediátricos com sinusite crônica que não melhoram após medicações, adenoidectomia; pacientes imunodeprimidos ou pacientes internados em UTIs que não têm condições de serem submetidos à procedimentos mais extensos. Recentemente realizamos cirurgia da sinuplastia em paciente de 18 anos com paralisia cerebral com sinusite crônica há 5 anos, que não melhorava com medicações. Este jovem talvés não fosse beneficiado com cirurgia tradicional, visto que as limpezas pós-operatórias seriam bastante complicadas devido à condição desta pessoa.

A sinuplastia também tem contra-indicações, como por exemplo, pacientes com poliposes extensas, com tumores nasais, com neo-formação óssea na região dos óstios, dentre outras.

 

A cirurgia elimina para sempre a sinusite?

A sinusite é uma doença multi-fatorial que pode ter cunho anatômico, ou seja, ser causada por obstruções mecânicas dos óstios dos seios paranasais, mas também, em grande parte dos casos, fundo alérgico. A cirurgia, quer seja tradicional, MIST ou sinuplastia não apresenta a cura da sinusite, mas sim uma tentativa de diminuição das crises e consequente melhora da qualidade de vida dos pacientes.Nos trabalhos presentes até o momento, a qualidade de vida dos pacientes tanto submetidos aos procedimentos tradicionais, quanto à sinuplastia foi melhorada.

 

Existem tratamentos alternativos para quem não quer fazer a cirurgia?

Sim. Há vários tratamentos imuno-alérgicos, com vacinas contra alergias, homeopatia e outros. Infelizmente não há milagre, remédio ou cirurgia mágica. Os pacientes e os médicos devem desenvolver relação de confiança para tratamento adequado e indicações cirúrgicas precisas para que o principal beneficiado seja o paciente.

 

Dr. Aldo Stamm
Diretor do Centro de ORL
 

 

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